Penso que este será o primeiro post que coloco com um tom meio sério. Digo meio pois não quero deturpar o sentido e o espírito deste blog. A verdade é que não consigo ficar indiferente aos casos de insegurança e violência que têm vindo a ganhar projecção nos media a um ritmo superior ao das fífias da defesa do SLB. Não acredito no discurso governativo que minimiza o que tem acontecido diariamente em diversos pontos do país. Nada de índole negativo deve ser minimizado. Sou apologista dos exercícios de relativização dos problemas, mas penso que neste caso não podemos olhar para estes acontecimentos de forma indiferente e de ânimo leve. Hoje, quando vinha de carro para o trabalho, tive a oportunidade de ouvir o relato de um apresentador de rádio que, infelizmente, foi vítima de um assalto violento a 50 metros da rádio e por volta das 7 da manhã. O relato que fez do sucedido estava carregado de medo, confusão e tristeza. É perturbador ouvir algo que consegue fundir tantos sentimentos negativos numa única voz. Houve ainda um momento em que, de forma quase imperceptível, se ouviu algo que parecia um soluçar de choro que, farto de ser travado por palavras, se recusou a ficar guardado pelo apresentador. Se já estão a sentir vontade de dar algum apoio ao apresentador podem fazê-lo para a MEGA FM. Se se sentem revoltados com a situação eis a minha opinião sincera sobre o assunto. Sou dos que, de uma forma sádica e sem piedade, penso que o humano que inflige o mal noutro ser humano deve ser tratado de forma a que o arrependimento e a penitência o acompanhe para o resto da sua vida. Não sou a favor da pena de morte. Sou a favor, isso sim, de pequenas tarefas que nutram no criminoso um arrependimento eterno. Eis uma lista de “pequenas tarefas” capazes de trazer alguma justiça à impunidade que teima em alastrar um pouco por todo o lado.
Tarefa 1 – Faz uma conchinha com as mãos
O criminoso tem como objectivo limpar, como uma regularidade diária, fossas sépticas possuindo como únicos utensílios um balde de praia, do Noddy ou do Bob, e as mãos em forma de conchinha.
Tarefa 2 – Ai povo que lavas no rio
É feita uma recolha de toda a roupa interior dos sem abrigo de Lisboa e Porto e o meliante será responsável por lavar as mesmas, com sabão azul e branco ou rosa e branco, no rio Alviela ou no rio Lis. Azul e branco para a de homem, rosa e branco para a de mulher. O sabão deverá ser aplicado utilizando a boca e, antes de começar a lavagem, cada peça deverá ser cheirada a preceito (ler a uma distância de menos de 1 cm) de forma a certificar que precisa mesmo de ser lavada. Depois de cheirar a peça preso deverá dizer, como quem grita: “Sei que na essência desta peça castanha cheio de catotas e cotão existe uma peça mais pura e branca que a neve. Vou procurá-la.” E assim fará.
Tarefa 3 – Ronaldão em Acção
A última tarefa, por sinal a que se sugere como mais dolorosa para o lapantim, sugere a participação de mais 1, ou 2, ou mesmo 3 pessoas. Partimos, neste caso , do princípio de que há tensão nas prisões nacionais e penso que o ideal será criar uma solução que transforme essa tensão em amor. Como acredito que o nosso criminoso foi uma pessoa pouco amada enquanto criança sugerimos que receba esse amor aqui, agora e à força. As noites na prisão deixarão de ser, no mínimo, longas e monótonas. Ponto de Cruz deixará de ser uma arte manual para passar a ser uma alcunha.
Deixem-me rematar este post que já vai longo. Apesar do ar menos pesado que possamos tentar dar a este problema, a verdade é que existe e está a fazer parte da vida de todos nós a cada dia que passa. Deixamos aos políticos a responsabilidade de aprovar leis que nos protejam. Nós, por enquanto, vamos produzindo o sabão azul e branco e os baldes do Noddy.
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