Este post vai ser a abrir. Tenho uns 6-7 minutos para o escrever e não me posso dar ao luxo de divagar muito. Não sei bem o que poderei escrever em tão pouco tempo. Já sei. Vou falar de algo que nunca falei. O hábito de escrever sobre as mesas das salas de aula. Acredito que tu, tal como eu, já tivemos os nossos momentos de inspiração e, sem mais num suporte à mão a não ser o caderno, uma folha solta, ou até o nosso próprio corpo, resolvemos dar vazão a essa inspiração na mesa de uma sala de aula. Não estou a falar de acções recentes, mas antes de coisas que fiz há uns bons anos atrás quando andava no liceu. Não tinha jeito para desenhar, não tinha jeito para escrever poesia, não tinha muito a dar ao mundo. Contudo, por motivos que ainda não consigo entender, dava por mim a escrevinhar na mesa da sala de aula de uma forma quase metódica. Amores declarados em verso sob a capa de um nome que não era o meu. Desenhos que não tinham pés nem cabeça. Parvoíces a rodos que ganhavam, ao longo dos períodos seguintes, pequenas adendas geralmente na forma de orgãos genitais mutantes e em erupção. Não vale a pena ficares chocado com o que acabei de escrever. Que levante o braço quem nunca deixou um caderno abandonado e, como resultado, ficou com um caderno atacado por uma praga de rodinhas, sardos ou o que lhes quiseres chamar. Adiante. Outras mensagens deixadas nas mesas incluíam:
- os clássicos corações com setas acompanhado com os nomes de 2 tristes pueris;
- os desejos de morte deixadas às amigas inúteis das nossas paixonetas que teimam em minar a nossa credibilidade junto das mesmas;
- a homenagem ao nosso clube do coração;
- apreciações menos próprias sobre outros alunos ou alunas da turma geralmente relacionadas com as suas opções sexuais ou o seu currículo sexuae.
Sei que não era o único a fazer isto. Sei que raramente era apanhado e quando era entrava em acção o Ajax em pó e o paninho mais sujo que a própria mesa. Sei que tu também fizeste isso e, sabe-se lá, ainda o fazes. Sei também que este texto não teve pés nem cabeça e que a sua piada morreu antes de sequer nascer. Paciência.
Gostava de ter um site sobre este assunto, mas infelizmente não tenho. Contudo, já que estamos a falar de memórias, sugiro que visites este baú recheado. Acredito que este site traz um sorriso aos lábios de mais pessoas do que tu, mas também não preciso muito para que isso aconteça.

Escrever nas mesas nem é o pior… quando se fazem gravuras com objectos afiados é que é outro nivel! Neste caso, a arte, muitas vezes, é colocada de parte e só o que existe é o puro vandalismo mesmo!
(O caro colega blogueiro omitiu que, nas mesas (e paredes, e…, e…), também costumam-se escrever comentários para vilipendiar a imagem dos professores… Nunca por mim, claro!)
Minha formação inicial é de Artes, por isso, sempre vi coisas bastante imaginativas, tecnicamente bem feitas, com bastante dominio do instrumento utilizado e do suporte…
Costumo até avaliar a qualidade dessas representações, desabafos e interpretações da realidade…
Há alguns “artistas” que nem Freud explica!
Mas por acaso… pensando bem, é algo que poucas vezes fiz! Não me lembro muito de fazer isso, embora consiga concentrar melhor minha atenção se eu estiver a desenhar (porque sei que estou distraido mas é de maneira controlada… se estiver a olhar para o tecto, aí é que me distraio mesmo!)